Júnior Batista
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on 10 novembro 2015

Pregador Luo lança novo álbum ''Governe'' - Análise

Governe!, novo trabalho de Pregador Luo, é o seu melhor álbum desde Apocalipse 16 e Templo Soul (2006). Em seu novo projeto, o rapper diz, em outras palavras, que pretende colocar sua carreira de volta aos trilhos e governar. 

A narrativa do álbum é contundente e provocadora perante a conjuntura que vivemos, em pleno 2015. Acena para um manifesto político, social e espiritual muito mais inteligente e contextualizado que seus antecessores. Luo conseguiu confluir as crises econômicas do Brasil com os mesmos olhares que observam os maus bocados de muitas instituições cristãs governadas por irresponsáveis. O mesmo impacto, claramente, se diz respeito às bases de todo o sistema: a população. Quem legisla é responsável pela grande massa, querendo elas ou não. Ao decidir e se responsabilizar por todos os acontecimentos que envolvem a sociedade, os efeitos são para o bem e, principalmente, para o mal. 



Embora seja conceitual, Governe! é muito claro por transitar entre a melancolia e a assertividade. Minha Alma é Triste, Mas é Feliz e seus versos existenciais se contrastam em relação aos elementos eletrônicos com grooves de funk carioca em Blindadão, mais próximo de seus últimos trabalhos. Luo, que também é produtor musical em todas as faixas – com colaborações de Rogério Sarralheiro, Luciano Claw, DJ Max, Troy Murray, Jessé e Silvera – se desdobra em vários gêneros musicais nas batidas do rap. Um dos destaques é a faixa que encerra o projeto, Assuma o Controle, e seus lampejos de R&B. A influência de reggae também é notável em Derrubando Muralhas, com guitarras de Silvera. Os músicos, ao seu lado, não soam como coadjuvantes. Enquanto eles fornecem as camadas de som, Pregador esclarece que a fé bem servida de engajamento faz bem para qualquer cristão. Afinal, na capa, Luo aparece centralizado em meio a ilustrações, e fotografias de grandes nomes na história da sociedade humana, como Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Mahatma Gandhi e Billy Graham.